Sob muitas vaias e gritos de "vergonha", os parlamentares aprovaram o novo subsídio para a próxima legislatura
Com 22 votos favoráveis e três contrários, os vereadores de Belo
Horizonte, Minas Gerais, aprovaram o projeto de lei que aumenta o
salário dos parlamentares municipais a partir da próxima legislatura. O
subsídio, atualmente em R$ 9.288,05, saltará para R$ 15.031,76, o que
corresponde a 75% da remuneração dos deputados estaduais mineiros. O
texto foi apresentado pela Mesa Diretora e, votado este ano, livra os
parlamentares de se desgastarem com o eleitor em 2012, ano eleitoral.O projeto de lei, que prevê o generoso reajuste a partir de janeiro de 2013, entrou na pauta como prioridade e, diferentemente de vários outros, de interesse público, tramitou em tempo recorde: cinco dias. Com a manobra, os parlamentares esperam não se indisporem com o eleitor em 2012, ano de eleições. Se a matéria fosse votada no próximo ano, os vereadores poderiam ser acusados de legislar em causa própria caso, já que eles poderão concorrer e serem reeleitos. De acordo com a Constituição Federal, as câmaras municipais podem remunerar os vereadores com valores entre 30% e 75% do que é pago nas assembleias legislativas, variando de acordo com a população da cidade.
A votação foi marcada por protestos. Em plenário, o vereador Iran Barbosa (PMDB) disse que um bom salário serve para auxiliar no combate à corrupção. Mas apesar de defender o aumento, que provocou críticas dos que acompanhavam a sessão, ele anunciou que votaria contra o projeto. “Parlamentar é eleito para representar. As pessoas quem eu represento pedem que eu vote contra”, afirmou. Já o vereador Henrique Braga (PSDB) afirmou que sente vergonha da remuneração paga pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). “O salário da Câmara em relação a de outras capitais é vergonhoso. Em outras capitais já se ganha 75% do salário dos deputados”, declarou.
